
As Brasas, do húngaro Sándor Márai, é exatamente assim. É um romance sobre amizade, paixão, honra e traição. Conta a história de dois homens que não se veem há 41 anos. Cresceram juntos, foram inseparáveis, até que um dia um deles desaparece. Algo grave acontece naquele dia e um longo silêncio se faz. Como parte do segredo há o fantasma de Kriztina, que se casou com um deles. O enigma será desfeito na noite em que os dois homens se reencontram e travam um duelo que oscila entre a elegante esgrima e a luta feroz. A batalha, claro, não ultrapassa o plano das palavras. E que palavras! O texto flui com uma elegância, a construção do personagem que conduz a trama é impecável e, mesmo que servindo apenas como ambiente para a trama, a descrição dos ambientes e da época coloca o leitor na cena de um jeito surpreendente. É de perder o fôlego, levantar os olhos das páginas e exclamar para o vazio da sala:
– Que livro foda.
É claro que, machadiana como sou, acabei por lembrar-me de outra situação em que havia dois homens, uma mulher de olhos de cigana obliqua e dissimulada e um enigma. Mas aí, são outras Capitus.
O Escritor O húngaro Sándor Márai nasceu em 1900. Exilou-se em 1948, inconformado com a implantação do comunismo em seu país. Em 1979 fixou-se nos Estados Unidos, onde se suicidou. As brasas é sua primeira obra lançada no Brasil.
Imagem: Ebdomarário
>> Sobre a autora:
![]() |
Denise Ravizzoni publicou o livro de contos 'As Muitas Que Me Habitam' e escreve porque precisa, precisa do que escreve. |


