
Esta semana, em memória aos 60 anos da morte de Graciliano Ramos (20/3), anunciou-se que o documentário "Universo Graciliano", de Sylvio Back, foi selecionado para o festival É Tudo Verdade (4 a 14 de abril, em São Paulo e no Rio).
O documentário traz entrevistas com amigos e parentes, como sua filha, Luiza Amado, e o advogado Paulo Mercadante, muito próximo do escritor.
Porém, o que chamou atenção na notícia foi o fato de que o mesmo Sylvio Back perdeu os direitos de filmar "Angústia" (1936), considerada por muitos (por mim, pelo menos) a obra-prima do filho mais famoso de Quebrangulo.
Sylvio, que diz possuir o roteiro pronto desde 2003, ano em que assinou contrato com a família de Graciliano para a adaptação cinematográfica da obra, não conseguiu captar recursos para a empreitada, de modo que a família Ramos decidiu não renovar a cessão dos direitos, a fim de “dar chance a outra pessoa que tenha interesse em adaptar o romance”, como afirmou à revista Veja o neto do escritor, Ricardo de Medeiros Ramos Filho.
Durante esses 10 anos, Sylvio – que definiu o desfecho inesperado do projeto como “devastador” – não teria dado retorno à família de Graciliano sobre o andamento do filme.
Mas devastador mesmo é saber que quase tivemos "Angústia" no cinema (e ninguém me avisou!), e agora sabe-se lá quando alguém vai se interessar novamente por essa obra muito-cult-nada-pop, hermética, pesada e introspectiva.
Resta-nos, além de torcer e esperar, exercitar a imaginação: quem você escolheria para uma adaptação cinematográfica de "Angústia"? Quem seriam Luís da Silva Marina e Julião Tavares? E o diretor?
Para evitar piadas com Wagner Moura em todos os papéis, vale qualquer elenco do mundo: pode ser, sei lá, Werner Herzog dirigindo Jackie Chan, Débora Falabella e Meat Loaf, qualquer combinação tá valendo. Quem quiser, também pode indicar uma trilha sonora.
Divirtam-se!
>> Sobre o autor:
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Fábio Vanzo é jornalista, sartriano, corinthiano e guitarrista. |

