Saindo do forno

quinta-feira, 21 de março de 2013

10 grandes road movies | parte 2

Coração Selvagem (Wild At Heart – 1990 – David Lynch)



Outro dos meus filmes preferidos, de um dos meus diretores preferidos. Wild at Heart. O que falar sobre David Lynch? Viagem de ácido em forma de filme. Sailor Ripley (Nicolas Cage) namora Lula Fortune (Laura Dern), mas a mãe dela é obcecada por ele. Tenta abordá-lo, mas ele a rejeita. Ela, então, como toda sulista vingativa, contrata um capanga para matá-lo. Sailor mata o capanga, vai preso e depois da pena cumprida, decide viajar com Lula pelo sul dos EUA. Ambos ficam MUITO LOUCOS durante a viagem, fazem muito sexo, bebem muito, conversam muito sobre seus traumas, Sailor dá vazão à sua obsessão por Elvis Presley, enquanto Lula é completamente obcecada pelo Magico de Oz.
Muitos personagens bizarríssimos entram na trama, deixando-a cada vez mais interessante e genial, inclusive Bob Peru (Willem Dafoe), que finalmente convence Sailor a participar de um roubo a banco. Catártico.

6

Priscilla, a rainha do deserto (1994 – Stephen Elliot)


As drag queens Anthony (Hugo Weaving) e Adam (Guy Pearce) e a transexual Bernadette (Terence Stamp) são contratadas para realizar um show em Alice Springs, uma cidade remota localizada no deserto australiano. Elas partem de Sydney, a bordo um ônibus, que todos batizaram de “Priscilla”, mas no caminho descobrem que quem as contratou foi a mulher de Anthony. Um drama divertidíssimo, que fala sobre homossexualidade de forma direta, homofobia, aceitação, companheirismo e amor. Com cenas antológicas, como a de Guy Pearce dançando no topo do ônibus, e trilha sonora com Gloria Gaynor, como não poderia deixar de ser. Foi um dos grandes responsáveis por abrir a cultura gay ao mundo. Hugo Weaving, Guy Pearce e Terrance Stamp, TODOS, excepcionais, sem exceção. Um primor mora no meu coração.

7

Na natureza selvagem (Into the Wild – 2007 – Sean Penn)

Esse filme é uma PORRADA. Baseado no livro homônimo do jornalista Jon Krakauer, que conta a história verídica de Christopher McCandless, um jovem recém-formado que se aventura pelos Estados Unidos até chegar ao inóspito Alasca.
Em 1990, com 22 anos, doa todo seu dinheiro a uma instituição de caridade, muda de identidade e parte em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do cotidiano. Perambula por uma boa parte da América (chegando mesmo ao México) arranjando empregos temporários, sempre que faltasse dinheiro. Desconfiado das relações humanas e influenciado pelas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau, ansiava por chegar ao Alasca, onde poderia estar longe do homem e em comunhão com a natureza selvagem e pura. Sean Penn, além de ser ótimo ator, é um diretor sensibilíssimo e muito se identificou com a luta de Christopher contra o materialismo. O protagonista queria fugir de uma família materialista, hipócrita e cheia de mentiras. Penn, com olho de cineasta capta melancolicamente a paisagem americana, contando com a ajuda de Pearl Jam na trilha sonora, vai embalando o espectador, que é quase hipnotizado pelas imagens e pelo som.
Um road movie baseado em uma história real, que nos faz pensar muito.

8

Mad Max II (Mad Max, the road warrior – 1981 - George Miller)



A disputa pelo petróleo acabou gerando uma guerra entre as potências mundiais de proporções catastróficas. As cidades entraram em colapso. O planeta tornou-se uma terra deserta e sem lei. Remanescentes e desordeiros motorizados viajam sem controle em uma terra árida, buscando o mais escasso bem: a gasolina.
Quem a possui tem o controle dessa terra devastada (Mad Max era profético)
Essa é a sociedade do futuro e em meio disso aparece Max, um homem sem rumo, remoendo as dores do seu passado após perder sua família e o parceiro de trabalho na polícia. Max segue por essa terra em seu indestrutível Ford Falcon V8 envenenado, percorrendo as estradas, indiferente ao perigo. Ora, é o clássico Mad Max como o conhecemos. Moicanos e cyberpunks sujos do deserto e Mel Gibson delicinha. Sensacional. We do need another hero!

9

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine – 2006 – Jonathan Dayton e Valerie Ferris)



O grande road movie moderno que conquistou milhares de corações por mostrar com sensibilidade e delicadeza as agruras que todos temos com a vida em família. Família, vovô, vovó, titia. Toda família é uó, mas os Hoover conseguem se destacar. O pai (Greg Kinnear) desenvolveu um método de autoajuda que é um fracasso, o filho mais velho (Paul Dano, ótimo) fez voto de silêncio, o cunhado (Steve Carrel) é um professor suicida e o avô (Alan Arkin, sensacional) foi expulso de uma casa de repouso por usar heroína.

Como se não bastasse tudo isso, o sonho da filha caçula, a desajeitada Olive (Abigail Breslin), é participar de um concurso de beleza para meninas pré-adolescentes do outro lado do país, chamado “Pequena Miss Sunshine” . Durante três dias eles deixam todas as suas diferenças de lado e se unem para atravessar o país numa kombi amarela enferrujada que só pega em movimento... e aprendem a amar a família que tem.

10

Transamerica (2005 – Duncan Tucker)


Ninguém deu muita bola para esse filme na época, mas quando o assisti achei maravilhoso e me tocou de verdade. Bree Osbourne (Felicity Huffman) é uma orgulhosa transexual de Los Angeles, que economiza até o último centavo para fazer a última operação que a transformará definitivamente em uma mulher. Um dia, ela recebe um telefonema de Toby (Kevin Zegers), um jovem preso em Nova York que está à procura do pai. Bree se dá conta de que ele deve ter sido fruto de um relacionamento seu, quando ainda era homem. Ela, então, vai até Nova York e o tira da prisão. Toby, a princípio, imagina que ela seja uma missionária cristã tentando convertê-lo. Bree não desfaz o mal-entendido, mas o convence a acompanhá-la de volta para Los Angeles e os dois embarcam em uma viagem intensa de conhecimento mútuo, aceitação, perdão e recomeços. Vale a menção honrosa para a interpretação de Felicity Huffman (Desperate Housewives) em que ela, uma mulher, precisa interpretar um homem que quer ser mulher (transexual). Admirável é a palavra. Vale muito a pena.

Menções honrosas para alguns filmes off-hollywood: Y Tu Mamá También, Árido Movie, Cinema, Aspirinas e Urubus, Diários da Motocicleta, On The Road, Central do Brasil, Três Enterros, Gente de Sorte, O Gerente de Recursos Humanos, Um Caminho para Dois e Vincent Quer ver o Mar.

: )

Leia a primeira parte da lista aqui.

>> Sobre a autora:
Fabricio Gabriela Franco respira música, vive a dança, come cinema, bebe literatura, transpira cultura e se arrisca na filosofia.
 
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