Saindo do forno

sábado, 13 de abril de 2013

Samuel Beckett: aniversário e citações

Hoje é aniversário do autor considerado como um dos primeiros pós-modernistas do século XX, o dramaturgo, poeta, ensaísta, contista e romancista irlandês Samuel Beckett (Dublin, 13 de abril de 1906 -- Paris, 22 de dezembro de 1989), que deixou um trabalho prolífico e de vanguarda.

Beckett é um dos principais nomes ligados ao teatro do absurdo, termo criado pelo jornalista Martin Esslin, para tentar classificar obras teatrais que representavam a realidade de forma abstrata e pessimista (nem todas são, mas incluir Beckett no retrato pessimista não seria exagero).

Para comemorar o que seria o 107º aniversário do autor, o site Huffpost separou algumas citações marcantes, extraídas das peças, e a Capitu acrescentou outras. Aí estão:

"Todos nós nascemos loucos. Alguns permanecem assim."
Esperando Godot

"Você está na Terra. Não há cura para isso."
Endgame

"Qualquer idiota pode fechar os olhos, mas quem sabe o que o avestruz vê na areia."
Murphy

"Não importa. Tente novamente. Fracasse novamente. Fracasse melhor."
Nohow On

"Me parece que nasci e vivi muito tempo e errei pelas cidades, as florestas e os desertos, e estive durante muito tempo à beira dos mares em lágrimas diante das ilhas e penínsulas onde vinham brilhar, à noite, as pequenas luzes amarelas e breves dos homens e toda a noite os grandes fogos brancos ou de cores vivas que vinham até as cavernas onde eu era feliz, deitado sobre a areia ao abrigo dos rochedos no perfume das algas e da rocha úmida ao som do vento das vagas me açoitando com espuma ou suspirando sobre a praia mal tocando os seixos do chão, não, feliz não, eu nunca fui isso, mas desejando que a noite não acabasse jamais e nem voltasse o dia que faz os homens dizerem, vamos, a vida passa, é preciso aproveitar. Aliás, pouco importa que eu tenha nascido ou não, que eu tenha vivido ou não, que eu esteja morto ou apenas moribundo, vou fazer do jeito que sempre fiz, na ignorância do que faço, de quem sou, donde estou, se é que sou."
Malone Morre

"Eu conhecia mal as mulheres, naquela época. Ainda as conheço mal, aliás. Os homens também. Os animais também. O que conheço menos mal são minhas dores. Penso nelas todas, todos os dias, é rápido, o pensamento vai tão depressa, mas elas não vêm todas do pensamento. Sim, há momentos, principalmente à tarde, em que me sinto sincretista, à maneira de Reinhold. Que equilíbrio. Aliás, conheço mal também minhas dores. Isso deve ser porque não sou apenas dor. Aí está a astúcia. Então me afasto, até o espanto, até a admiração, como de um outro planeta. Raramente, mas é o bastante. Nada cretina, a vida. Ser apenas dor, como simplificaria as coisas! Ser todo-dolente! Mas isso seria concorrência, e desleal."
Primeiro Amor

  >> Sobre o autor:
Fabricio Fabricio Romano é editor do site, revisor e tradutor como ofício e voyeur da literatura alheia como carma.
 
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