O cara que protestava
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| Capa da Folha de São Paulo de 1973 (clique para ampliar) |
Brando já havia recusado o Globo de Ouro, concedido pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, durante cerimônia de premiação na qual também não compareceu. Alguns atores matariam por um desses. Ele desdenhou. Durante a década de 1960 já havia mostrado seu lado engajado participando de manifestações em favor dos direitos civis e dos direitos dos indígenas e ligando-se a líderes como Luther King, além de manter relações com membros do grupo Panteras Negras.
Para o mercado cinematográfico, a atitude do ator foi um choque e tanto, pois até então a cerimônia do Oscar era quase que sagrada; intromissões desse tipo eram cuidadosamente afastadas. Abriu precedente para outros tantos que vieram depois utilizarem o precioso minuto de discurso para advogar por causas diversas. Não sei se ele realmente acreditava no que fazia ou se era pose, mas o fato é que as cerimônias de premiação da época em que Brando exercitava seu protesto deviam ser infinitamente mais animadas e interessantes do que são hoje, quando o pico de emoção fica por conta do tombo gracioso de uma atriz ao subir a escadinha para colocar as mãos na cobiçada estatueta. É isso, os tempos mudaram. Salve Brando, o explícito!
>> Sobre a autora:
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Denise Ravizzoni publicou o livro de contos 'As Muitas Que Me Habitam' e escreve porque precisa, precisa do que escreve. |



