Saindo do forno

sexta-feira, 29 de março de 2013

Poe em série

Não é de hoje que diretores dos mais diversos tentam levar a obra do escritor Edgar Allan Poe ao cinema. O resultado nem sempre é bom. Vamos admitir, não é tarefa fácil. A obra de Poe é densa, as descrições de cenários e personagens são opressoras a ponto de tirar o fôlego do leitor. O cara consegue provocar imagens na mente como se projetasse uma cena. Imagina a responsabilidade. Depois de muito tentar, levaram Poe como personagem às telonas, na pele de John Cusack. Agora é a vez das séries de TV.

The Following 

A sinopse define a séria assim:

“Ryan Hardy (Kevin Bacon) é um ex-agente do FBI que, há dez anos, conseguiu capturar o serial killer e professor de literatura Joe Carroll (James Purefoy). Preso em uma penitenciária e aguardando sua execução, Joe finalmente consegue fugir, deixando um violento rastro de sangue – ele é responsável pelo assassinato de 14 estudantes universitárias, e todas as mortes foram inspiradas nos trabalhos de Poe.

Agora, Hardy é convocado como consultor pelo FBI, pois conhece a mente de Joe melhor do que ninguém. Enquanto participa da resolução do caso, que não segue padrão algum, os agentes descobrem que Joe arquitetou um plano muito maior do que eles esperavam, e que envolve várias pessoas fissuradas com seu trabalho. Um culto”.

Parece bom. E é. Produzida pela FOX, estreou em janeiro nos Estados Unidos (em fevereiro aqui no Brasil). Conseguiu atrair 10 milhões de espectadores americanos com os 15 primeiros episódios. O canal aposta em cerca de sete temporadas. Presume-se que o seriado deve ter vida longa na TV.

Dados de mercado à parte, a escolha de Kevin Bacon foi digna de mestre. Kevin é quase galã. O rosto é bem desenhado, o desenho bem equilibrado, mas há algo estranho no conjunto. Talvez os lábios finos formando um risco. Talvez certo vazio existencial nos olhos. Podemos descrever como beleza amarga. Encaixa feito uma luva no personagem complexo que poderia, facilmente, cair na canastrice, mas funciona bem. De modo geral, recomendo uma olhada. Não espere por Poe puro, mas é certo que, para quem gosta do gênero, haverá diversão de qualidade.

Em abril, no Brasil 

Novamente pela Fox, em abril começa a série nacional Contos do Edgar. Pois é. Confesso que fiquei curiosa. Adaptar os textos de E. A. Poe ao universo de cores e sabores locais pode resultar, no mínimo, num híbrido interessante.

Na sequência, o release oficial:

Os contos do escritor Edgar Alan Poe serviram de base para a produtora O2 criar a série Contos do Edgar. Filmada em São Paulo, com direção geral de Pedro Morelli, Contos do Edgar é situada no tempo presente, explorando a cultura popular e o cenário underground da cidade. A série apresentará uma história diferente por episódio, tendo como narrador Edgar (Marcus de Andrade), um paulistano que passa por um momento difícil em sua vida. Seu bar foi lacrado pela prefeitura e sua esposa Lenora desapareceu.

Agora Edgar vive de favor na casa de Fortunato (Danilo Grangheia), seu amigo de infância, dono da dedetizadora DDT Nunca Mais, onde Edgar passa a trabalhar. Apesar de ter sido acolhido pelo amigo, Edgar desconfia que Fortunato esteja, de alguma forma, envolvido como o desaparecimento de Lenora. A história de Edgar somente ganhará um desdobramento no último episódio da primeira temporada. Nos quatro primeiros o público acompanhará as situações vividas pelos personagens convidados.

O primeiro episódio recebeu o título de Berê, inspirado no contoBerenice. Atendendo um chamado, Edgar recebe a missão de eliminar os ratos que invadiram uma boate onde se apresenta Berê (Gaby Amarantos), uma cantora que sofre de baixa autoestima.

O problema de Berê são seus dentes feios e infeccionados. Ela quer trocá-los, mas seu primo Cícero (Marcelo de Barros) se torna obcecados por eles e impede sua remoção, colocando em risco a vida de Berê.

Não tenho a menor ideia do que esperar, mas vou conferir.

>> Sobre a autora:
Denise Denise Ravizzoni publicou o livro de contos 'As Muitas Que Me Habitam' e escreve porque precisa, precisa do que escreve.

 
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