Saindo do forno

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O ano de Renato Russo no cinema

 
Renato Russo não será esquecido, e isso é ótimo. Justíssimo que um dos grandes artistas do Brasil, e um dos mais íntegros, honestos e sinceros, seja sempre reverenciado, e que o culto à sua obra – e, justiça seja feita, RR virou mito ainda em vida, coisa rara no país – apresente suas canções às novas gerações.

São discos sólidos, influentes, prodígios de uma mente brilhante e de conhecimentos enciclopédicos sobre rock, fundamentais para entender o rock e até o Brasil dos últimos 30 anos.
Ísis Valverde, como Maria Lúcia
Embora às vezes soe datada no instrumental simplório (hoje qualquer banda porcaria tem bons músicos e produção impecável), quase mambembe, é uma obra que transborda sinceridade e clama por ética no amor e no país.

Renato Russo não será esquecido, e isso é péssimo. Desde que Dado e Bonfá perderam para a família Manfredini os direitos sobre as canções de RR, a obra do Grande Legionário, que até então sempre fora conduzida com muito critério, com poucos shows, nenhum festival e raríssimas apresentações na TV, além de apenas um disco ao vivo (Música Para Acampamentos, também seleção de lados B) e, postumamente, uma coletânea (Mais Do Mesmo), um disco de sobras (Uma Outra Estação) o Acústico MTV, aumentou dramaticamente.

Foram mais dois discos duplos ao vivo, dois discos-solo de sobras (com direito ao inacreditável Presente, com uma demo caseira de música feita com o 14 Bis em 1987, uma participação fake em Catedral, com Zélia Duncan, e uma entrevista em que ele diz “olha, mas tudo em off, hein” repórter).


Dezessete anos após a morte de Renato, estreiam dois filmes, uma sobre parte de sua vida, outro sobre parte de sua obra.

'Faroeste Caboclo', filme de René Sampaio, com Fabrício Boliveira, Ísis Valverde e Felipe Abib nos papéis de João de Santo Cristo, Maria Lúcia e Jeremias, pretende levar às telas a dramatização (roteiro de Marcos Bernstein e Victor Atherino) do já dramático (e nonsense) épico de 9 min sem refrão, provável sucesso mais improvável da música brasileira: um migrante nordestino que vai para Brasília, se envolve com tráfico de drogas, conhece o amor, sofre traição, duela com bandidos e termina na política.

Se por um lado a letra original não tem consistência suficiente para servir de roteiro, por outro a adaptação, como aparece no trailer, aparentemente torna a história, com estreia marcada para 8 de maio, um caso banal de amor & crime.

Trailer Faroeste Caboclo

Já 'Somos Tão Jovens', de Antônio Carlos da Fontoura, com Thiago Mendonça no papel principal, Conrado Godoy como Marcelo Bonfá e Nicolau Villa-Lobos no papel de seu pai, Dado, e direção musical de Carlos Trilha (que fez muitos arranjos nos últimos discos da Legião), é mais convencional e, mesmo assim, promissor.

Com estreia marcada para 3 de maio, o filme, pelo menos pelo que indica o trailer foca na juventude de Renato Manfredini, focando em sua vida nos EUA, sua chegada à Colina e o início da vida musical, com o seminal Aborto Elétrico.

Trailer Somos Tão Jovens

O jeito é esperar até o início do mês que vem para saber se ambos os filmes fazem jus a memória do artista ou se ou se são apenas caça-níqueis sem muita noção.

>> Sobre o autor:
Fábio Vanzo é jornalista, sartriano, corinthiano e guitarrista.
 
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