Saindo do forno

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Eles se montam e se mostram

Em tempos de Felicianos atribuindo a Satanás o sucesso alheio e à frente de uma comissão pelos meus, pelos seus, pelos nossos direitos, qualquer opinião pode acabar em fogueira. Uma palavra mais rude ou uma piada espontânea é capaz de despertar aldeões empunhando tochas e jogar qualquer criatura na vala funda do politicamente incorreto. Neste cenário, algumas imagens valem mais do que milhões de palavras. 
Cauã Reymond – encarnou Courtney Love em ensaio fotográfico
 Não é novidade que alguns famosos já se vestiram de mulher para filmes, peças ou ensaios fotográficos, assim como não há nada de novo no bom e conhecido preconceito que sempre acompanha quem se aventura a cruzar a fronteira entre o que pertence a homens e a mulheres. Estes acabam sendo alvo de especulações sobre sexualidade, são envolvidos em boatos e piadinhas de gosto duvidoso, entre outras pérolas do comportamento humano. Parece ser assim desde priscas eras e não poupou nem astros como David Bowie (mesmo que o mundo tenha capitulado ao estilo camaleônico do cara, que foi catapultado aos píncaros do universo fashion como ícone de estilo e vanguarda).

Alguns dos caras

Em 2010, James Franco pousou para as lentes de Terry Richardson, belamente montado para a capa da revista Candy, uma publicação voltada para o público transexual e crossdresser (claro, não temos isso por aqui!). Por conta disso, foi alvo de fofocas no meio cinematográfico. À publicação, Francou declarou:

“Todo mundo pensa que uso drogas e algumas pessoas pensam que sou gay porque vivi gays no cinema, mas não é verdade.”

E eu pergunto: ok, Franco, e se fosse? O que o mundo tem a ver com isso? Se mulheres puderam evoluir e usar calças sem que isso afetasse diretamente a sexualidade, por que os rapazes não podem sair por aí exibindo os quadris em clássicos kilts (cai bem para os mais tradicionais) ou em saias de diversos estilos para os mais moderninhos? Tecnicamente, são apenas panos para cobrir o corpo. A coragem desses rapazes me soa bem, como uma marreta, para destruir essa parede que separa gêneros classificando-os pelo que usam e não pelo o que são. Misoginia, homofobia e tantas outras “ias” parecem discussão com prazo de validade, mas não. Pelo que vemos, ainda há muito que provar para não precisar nada provar.

Alguns outros moços que (gays ou não) que já se montaram para alguma finalidade:
Johnny Depp – como Bon Bom em “Antes do Anoitecer”

Dustin Hoffman – em “Tootsie”

Gael Garcia Bernal, em "Má Educação

Jared Leto, em "Dallas Buyers Club”

Marc Jacobs – poderosamente montado para a revista Industrie

Lázaro Ramos, Marcelo Camelo e Gabriel Braga Nunes  – pousaram como noivas para Jorge Bispo (de barba e sem maquiagem)

Marc Jacobs
A lista é grande e inclui, claro, o cartunista Laerte, que não é caso de pose por um momento, mas de opção e estilo de vida. Para eles, meu aplauso e minha admiração. Os meninos do Capitu bem que poderiam encarar o modelo “saia, camiseta e coturnos” e passar um dia por aí para observar reações e relatar a experiência. Não podiam?

>> Sobre a autora:

Denise Ravizzoni publicou o livro de contos 'As Muitas Que Me Habitam' e escreve porque precisa, precisa do que escreve.
 
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